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Clima escolar e bem-estar subjetivo dos adolescentes estudantes do campo


Resumo:

O clima escolar refere-se à percepção que os estudantes têm sobre seu contexto escolar, envolvendo dimensões como segurança, regras, relações interpessoais e envolvimento estudantil. Já o bem-estar subjetivo abrange avaliações individuais sobre a própria vida (satisfação de vida) e a frequência de afetos positivos (como alegria e pertencimento) e negativos (como tristeza e raiva). Durante a adolescência, período marcado por intensas transformações emocionais, sociais e cognitivas, tanto o clima escolar quanto o bem-estar subjetivo tornam-se elementos importantes para o desenvolvimento saudável. No contexto do campo, essas experiências ganham um delineamento particular, pois os adolescentes vivenciam não apenas os desafios típicos desse período da vida, mas também as especificidades condicionadas ao meio rural, como a distância dos centros urbanos, o acesso limitado a recursos escolares e dificuldades nos transportes. Esses fatores podem influenciar a forma como percebem a escola, suas relações e os afetos, tornando relevante compreender suas percepções sobre o clima escolar e o bem-estar subjetivo. Este estudo teve como objetivo analisar o bemestar subjetivo do adolescente estudante do campo e sua relação com o clima escolar, sendo desenvolvido a partir de uma abordagem mista. Inicialmente, foi realizada a etapa quantitativa, com a participação de 30 estudantes do 6º ao 9º ano de uma escola do campo, na qual foram aplicados questionários sociodemográficos, a Escala de Afetos Positivos e Negativos, a Escala de Satisfação de Vida e a Escala de Clima Escolar de Delaware, com análise realizada nos softwares SPSS e R, por meio de estatísticas descritivas, correlação de Spearman e testes de variância. Posteriormente, foi conduzida a etapa qualitativa, com 28 estudantes, em três encontros com grupo focal com base nos temas de bem-estar subjetivo e clima escolar, analisados por meio da Análise de Conteúdo de Bardin e com o uso do software Iramuteq. A pesquisa resultou em quatro artigos científicos: um quantitativo, que mostrou que relações positivas com professores, regras claras e maior envolvimento estudantil se associam a maiores níveis de bem-estar e afetos positivos, enquanto vínculos frágeis e baixa percepção de segurança ampliam os afetos negativos; um qualitativo, que evidenciou a influência do clima escolar nos afetos dos adolescentes, marcados por experiências de desmotivação, bullying e regras injustas, contrastando com afetos positivos nas relações de amizade; um artigo misto, que apontou convergências e divergências entre os dados, revelando equilíbrio nas escalas de afetos, mas relatos predominantes de tristeza e insatisfação com a escola e, em parte, com a família; e um artigo de devolutiva, que descreve quatro encontros com 70 estudantes e 10 professores da escola, nos quais foram apresentados os resultados da pesquisa e promovidos espaços de diálogo, escuta e proposição de melhorias para o ambiente escolar, fortalecendo a corresponsabilidade e o pertencimento entre os sujeitos escolares.

Como Citar:

DANZMANN, Pâmela Schultz. Clima escolar e bem-estar subjetivo dos adolescentes estudantes do campo. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Santa Maria - Centro de Ciências Sociais e Humanas. Santa Maria, RS. 2025.
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