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Extensão rural pública em Angola: do modelo colonial à implementação das escolas de campo para agricultores


Resumo:

Esta dissertação tem como objetivo geral descobrir como se dá a implementação das Escolas de Campo para Agricultores nas regiões centro e norte de Angola, bem como revelar a percepção dos extensionistas sobre esta abordagem quanto às suas vantagens e limitações. Como objetivos específicos, buscou-se descrever a origem, definição e fundamentos da Extensão Rural; identificar as diferentes transformações verificadas nos serviços de extensão rural públicos ao longo da história de Angola e a sua relação com o contexto político e social; analisar a aplicação das Escolas de Campo no contexto do projeto MOSAP II – Angola: suas potencialidades e limites do ponto de vista dos extensionistas rurais que atuam dentro do projeto. A construção e condução deste estudo envolveram estes três processos metodológicos: pesquisa bibliográfica, realizada em livros, periódicos e documentos disponíveis na internet; levantamento e questionário semiestruturado submetido aos agentes de extensão de Angola. Os achados nos permitiram identificar que a introdução dos serviços de Extensão Rural ocorreu em Angola nos anos de 1960 a 1970, por intermédio de uma cooperação entre o governo brasileiro, o governo português e o Departamento de Estudos Africanos do Instituto para a Pesquisa Econômica de Munique (IFFO). Os primeiros serviços foram adaptados da extinta Associação de Crédito e Assistência Rural do Estado de Santa Catarina (ACARESC), do estado de Santa Catarina (Brasil). A ACARESC utilizava uma abordagem metodológica apoiada no difusionismo. Com as críticas a esse modelo de intervenção, Angola buscou adotar abordagens amparadas na participação dos distintos agentes locais nos processos de intervenção no meio rural, com a introdução das Escolas de Campo para Agricultores, a partir de 2005, como a principal abordagem da ação extensionista. O primeiro momento da pesquisa de campo procurou identificar o perfil dos extensionistas. O segundo momento permitiu compreender como a ação extensionista ocorre na prática, por meio da sua atuação dentro das Escolas de Campo, conduzidas pelo projeto MOSAP nestas três províncias de Angola– Malanje, Huambo e Bié. Conclui-se que apesar da abordagem de Escola de Campo se mostrar promissora para o contexto angolano, ela apresenta algumas limitações ligadas às condições políticas, econômicas, sociais, culturais, históricas de Angola.

Como Citar:

MENDES, Sebastião Jorge Agostinho. Extensão rural pública em Angola: do modelo colonial à implementação das escolas de campo para agricultores. Dissertação (Mestrado em Extensão Rural) – Universidade Federal de Santa Maria - Centro de Ciências Rurais. Santa Maria, RS. 2022
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