Observatório GEPEMDECC

Logo 1_Gepemdecc
Logo 2_formacampo
Logo 3_logo_uesb
Logo 3_ppged
Logo 4_logo_fapesb_secti
Logo 4_sec_bahia
Logo 5_uesc
Logo 6_ufrb
Logo 7_uneb
Logo 8_undime
Logo redepecc

TRABALHO E EDUCAÇÃO DO/A JOVEM ESTUDANTE DA AGRICULTURA FAMILIAR


Resumo:

A relação entre o trabalho e a educação é o foco deste estudo. Nele se indaga: quais relações se colocam ao trabalho e à educação dos/as jovens provenientes da agricultura familiar do Colégio Agrícola Augusto Ribas? Tendo a análise dessa relação entre trabalho e educação do/a jovem estudante da agricultura familiar da referida instituição de ensino como objetivo geral, os específicos tratam de apresentar a morfologia do trabalho da agricultura familiar no Brasil; caracterizar os conhecimentos registrados nas produções de pós-graduações acerca do/a jovem do campo no Brasil no contexto da escola agrícola e estabelecer a relação entre trabalho e educação do/a jovem da agricultura familiar do Colégio Agrícola Augusto Ribas. Esse estudo fundamenta-se no materialismo histórico dialético, que se orienta pela teoria social de Marx (2013), a qual ancora-se numa abordagem ontológica de homem que compreende o trabalho
como categoria fundante do ser social, atentando-se à produção da vida dos/as jovens participantes. O trabalho de campo possibilitou analisar essa relação por meio de questionários respondidos voluntariamente por 64 alunos/as internos/as oriundos da agricultura familiar. Apresentou-se a morfologia do trabalho da agricultura familiar no Brasil, indicando os sentidos históricos para o trabalho, a realidade do campo e o trabalho do/a jovem que a compõe. Do mesmo modo, analisaram-se as produções acadêmicas de pós-graduação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) sobre o/a jovem no ensino agrícola e
como ele/a está nelas retratado/a. Também foi caracterizada a supracitada instituição de ensino, sua origem e estrutura, bem como as características sociais, econômicas e educacionais dos/as referidos/as estudantes. Sobre estes/as, os dados apontaram que são em sua maioria solteiros; brancos; católicos; do gênero masculino; que têm pais e avós proprietários de suas unidades produtivas; que moraram sempre ou por mais de 10 anos no campo; que metade usa o carro da família ou motocicleta e o restante ônibus; que advêm de localidades de 18 municípios próximos e só um do Mato Grosso; que suas famílias têm em média 4 a 5 pessoas e que o
trabalho é dividido por todos, sem divisão específica de tarefas; que participam do manejo à administração; que agricultura, fumo e soja foram as fontes de renda familiar mais indicadas; que Agronomia é o curso superior de maior interesse; que cerca da metade egressou da escola pública do campo, mas preferiam que lá tivesse Ensino Médio Profissionalizante; que falta de infraestrutura em saúde, trabalho permanente e intenso e a falta de opções de lazer e cultura pesam na decisão de sair, assim como vida saudável e convívio familiar pesam para ficar; que houve silenciamento sobre renda e trabalho. Nessa direção, o que se constatou foi que as relações que se colocam são pautadas nas conjunturas particulares de cada família, uma vez que, com diferentes níveis socioeconômicos, mais da metade deles/as buscam a formação técnica para retornar e aplicar na unidade familiar, enquanto o restante intenta avançar nos estudos e possivelmente partir para outras áreas ou profissões fora dela. Verificou-se ainda, conforme os dados mais recentes levantados principalmente pelo IBGE, que as condições dos agricultores familiares estão cada vez mais limitadas, dificultando seu pleno desenvolvimento, e por conseguinte, impactando na produção da vida do/a jovem do campo.

Como Citar:

HOLETZ, Carla Daniele Campos. Trabalho e educação do/a jovem estudante da agricultura familiar. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2021
Voltar para Lista