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IDENTIDADE E PRÁTICAS DE LETRAMENTO EM UMA ESCOLA MULTISSERIADA


Resumo:

A proposta deste trabalho está em compreender como as identidades sociais do campo são construídas no contexto de uma escola do campo multisseriada, no caso situada na Região Metropolitana de Curitiba, que atende a alunos do 4º ao 5º ano. Os objetivos que nortearam a pesquisa foram: a) identificar como a professora se percebe em relação à identidade do campo; b) identificar como os alunos se percebem em relação à identidade do campo; c) identificar, nas aulas de Língua Portuguesa, práticas de letramentos próprias ao universo do campo; e d) verificar como as vozes dos alunos são consideradas e utilizadas no contexto das práticas de letramento da professora. O referencial teórico adotado para a discussão sobre identidade é Hall (2011), Bauman (2005), Moita Lopes (2002) e Woodward (2011). Para o conceito de letramento, discute-se o modelo de letramento ideológico, em oposição ao modelo de letramento autônomo (STREET, 2003; 2012; 2014), com Kleiman (2006; 2008), que tem trazido importantes contribuições para as práticas escolares. A metodologia utilizada baseouse na linguística aplicada, conforme Moita Lopes (2006b) e Pennycook (2006), e na abordagem qualitativa interpretativista, conforme Denzin e Lincon (2006) e André (1995). O estudo incluiu também os documentos oficiais, como as Diretrizes Operacionais para Educação Básica nas Escolas do Campo, que, entre outras coisas, sinalizam para a diversidade no campo em seus aspectos sociais, culturais e econômicos. Considerou-se ainda a pesquisa do tipo etnográfica, por proporcionar alternativas de inteligibilidades sobre os usos de linguagem na sala de aula (MOITA LOPES, 2006b). Os instrumentos de pesquisa utilizados foram observações, questionários, entrevista individual com a professora, grupo focal com os alunos e o diário de campo. Os resultados sugerem que há uma concepção de identidade social do campo, identidade essa que direciona para um posicionamento crítico tanto da professora como dos alunos frente àqueles que tentam desqualificar seu espaço. Ouvindo a professora, constatou-se também que há uma concepção de identidade social do campo que direciona para um posicionamento crítico dela em relação à Secretaria de Educação Municipal. A construção identitária e de autolegitmação é percebida também nos embates, quando a professora e alunos reivindicam para si uma identidade positiva do campo e do espaço em que atuam. Quanto às práticas de letramento, evidenciou-se que, apesar de se perceberem algumas lacunas por parte da professora com as situações que exigiam conhecimentos gramaticais, ela conseguia conduzir os alunos a relacionarem o conhecimento com o contexto que eles vivem. Enfim, a discussão revelou que tanto a professora como os alunos possuem uma identidade positiva do campo, todavia ainda há um longo caminho a ser percorrido, sendo necessária a formação direcionada do professor que atua nesse contexto.

Como Citar:

OLIVEIRA, Raimunda Santos Moreira de. IDENTIDADE E PRÁTICAS DE LETRAMENTO EM UMA ESCOLA MULTISSERIADA. 2015. 165 f. Dissertação (Mestrado em Linguagem, Identidade e Subjetividade) - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA, Ponta Grossa, 2015.
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