AQUI ELES SÃO MUITO DESCONFIADOS” LETRAMENTOS, IDENTIDADES E EDUCAÇÃO DO CAMPO
Resumo:
Este trabalho tem por objetivo analisar o ensino de língua portuguesa em uma escola do campo, situada em assentamento rural ligado ao MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra-, no Estado do Paraná, a partir das identidades (HALL, 2003; BAUMAN, 2005; SILVA, 2000; MOITA LOPES, 2003) locais e seus reflexos nas práticas de letramento (STREET, 1995; KLEIMAN, 2005, 2007; SOARES,2011; ROJO, 2009; BUNZEN, 2010, JUNG, 2009) desenvolvidas na sala de aula pesquisada. As percepções e compreensões da professora sobre o ambiente no qual atua estabelece uma aproximação ou afastamento dos objetivos traçados para a disciplina, portanto, a reflexão e o conhecimento acerca da realidade social do campo, aliada à prática crítica de letramento, podem trazer melhores resultados, tanto em relação à disciplina de língua portuguesa quanto em relação à construção de identidades participativas dentro dessa agência de letramento: a escola. A cultura urbanocêntrica refletida nas práticas escolares de letramento, legitimada a cada momento tanto pela postura do professor (TELLES, 2009; FERREIRA, 2006, 2009; LIBERALI e MAGALHÃES, 2009; KLEIMAN e MARTINS, 2007; CELANI, 2009, GIL, 2005) quanto pela abordagem do material didático (CORACINI, 2011, GRIGOLETTO, 2011; CARMAGNANI, 2011), tende a colocar como marginal a cultura camponesa e seus representantes, interferindo na apropriação dos conhecimentos previstos, promovendo um afastamento possível de se verificar por meio de resultados como, por exemplo, os do SAEB – Sistema de Avaliação da Educação Básica-, que coloca a população do campo em grande desvantagem em relação à urbana. A pesquisa de campo foi realizada em uma Escola do Campo, aberta em 2011 dentro de um assentamento rural ligado ao MST. Por se tratar de uma escola em início de atividades, foi possível verificar os esforços da equipe em instaurar uma reflexão sobre as particularidades desse ambiente escolar. Os participantes da pesquisa são alunos do 9º ano – onze alunos -, a professora de Língua Portuguesa, a direção e a coordenação da escola. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, um estudo de caso etnográfico. Os resultados apontam um grande esforço dos grupos envolvidos na elaboração de documentos oficiais, como as Diretrizes para a Educação do Campo/PR, entre outros, porém o alcance dessas discussões ainda parece ser limitado. As práticas de letramento observadas tendem à reprodução do material didático e à desconsideração do ambiente do campo e suas particularidades, ao mesmo tempo em que apontam para uma postura mais crítica: trata-se de um momento de transição. Como contribuição ao local pesquisado, foi desenvolvida e discutida com a professora de Língua Portuguesa e a direção da escola uma sequência didática que aborda temas locais de modo conflituoso e crítico.
Como Citar:
SANTOS, Simone Carvalho do Prado dos. AQUI ELES SÃO MUITO DESCONFIADOS” LETRAMENTOS, IDENTIDADES E EDUCAÇÃO DO CAMPO. 2013. 171 f. Dissertação (Mestrado em Linguagem, Identidade e Subjetividade) - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA, Ponta Grossa, 2013.
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