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ESCOLA, JUVENTUDE DO CAMPO E GÊNERO: CASA FAMILIAR RURAL DE PINHÃO/PR


Resumo:

A tese desenvolvida tem como objeto de estudo o processo formativo e a busca da relação com o gênero na Casa Familiar Rural (CFR), de Pinhão – Paraná, cuja temática aborda o trabalho com as questões de gênero no contexto das escolas do campo. Os sujeitos da
pesquisa são dez jovens alternantes, com idade de 14 a 17 anos, dentre elas oito alunas da 1ª série do curso Técnico Agrícola e duas alunas da 3ª série do curso Técnico em Agroecologia. A tese parte da seguinte problemática: se e como a Casa Familiar Rural de Pinhão, no processo formativo dos cursos técnico agrícola e agroecológica problematiza as questões de gênero, enfatizando o protagonismo feminino? Para tanto, o objetivo geral é analisar as questões de gênero na formação em alternância a partir das percepções das jovens. Para isso, foram estabelecidos os objetivos específicos: a) analisar como se articula a formação ofertada na Casa Familiar Rural de Pinhão/PR enquanto alternativa de educação para as juventudes do campo; b) identificar o enfrentamento das juventudes do campo na construção da autonomia e a valorização do trabalho feminino; c) verificar se e como a formação em alternância da Casa Familiar Rural contribui para a sensibilização das questões de gênero no campo. A tese fundamenta-se na teoria decolonial e no fundamento teórico do feminismo camponês popular, com base nos estudos de Maria Lugones (2014). A metodologia adotada foi a pesquisa qualitativa, por meio de: entrevistas realizadas com as jovens mulheres no espaço investigativo da CFR; observação das aulas e o acompanhamento das práticas dentro e fora do espaço escolar; diário de campo, com o registro das observações realizadas; e entrevista com Claudemara Veiga, a fim de conhecer o trabalho que desenvolve sobre gênero geração nas comunidades do município de Pinhão/PR. A revisão de literatura, propiciou constatar que pesquisas de diferentes autores têm demonstrado que a desigualdade de gênero impactam nas decisões delas sobre a permanência ou saída do campo do meio rural. Desse modo, a tese defendida foi que o processo formativo da CFR traz implicações para pensar as relações sociais e de gênero no campo. Os argumentos evidenciaram que a formação que as jovens
mulheres têm recebido acerca das questões de gênero, vem da escola e das ações de outros espaços organizativos que não estão no âmbito do currículo, que trabalham diretamente as relações de gênero de forma a empoderar as mulheres e as juventudes a desconstruir
estereótipos de gênero, o que impacta a sua permanência e desenvolvimento no campo. Como resultados da pesquisa, considerou-se que a desigualdade de gênero e geração, a cultura patriarcal, a ausência da autonomia financeira e a carência de políticas públicas efetivas para mulheres do campo influenciam nas decisões delas permanecerem ou saírem do meio rural. Se elas tivessem condições de renda e valorização do trabalho elas ficariam.

Como Citar:

NEVES, Andréia Luciane dos Santos. Escola, juventude do campo e gênero: Casa Familiar Rural de Pinhão/PR. 2024. 195 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2024.
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