AS CONDIÇÕES DE TRABALHO DOS PROFESSORES EM ESCOLAS DO/NO CAMPO: ANÁLISE DOS MUNICÍPIOS DA MICRORREGIÃO DE PRUDENTÓPOLIS - PR
Resumo:
Esta tese tem por objetivo geral analisar as condições de trabalho dos professores em
escolas do/no campo da Rede Municipal de Ensino dos municípios da microrregião
de Prudentópolis, no estado do Paraná. Os municípios que compõem a referida
microrregião são: Fernandes Pinheiro, Guamiranga, Imbituva, Ipiranga, Ivaí,
Prudentópolis e Teixeira Soares. Ancorados no materialismo histórico e dialético,
realizou-se um estudo bibliográfico e documental e aplicação de questionários.
Inicialmente, foi realizada uma discussão sobre as relações entre a nova morfologia
do trabalho na sociedade capitalista e as políticas de valorização docente, no Brasil,
partindo da constituição ontológica do trabalho e seus desdobramentos em suas
formas de ser posteriores, na sociedade capitalista, para compreender o seu impacto
no campo educacional e na práxis docente. A exposição também contempla a análise
das políticas de valorização de professores, no Brasil, e de dados estatísticos; a
análise documental de leis e atos normativos que versam sobre a valorização docente
e as políticas de Educação do Campo; e a análise dos planos de carreira dos
professores da Rede Municipal de Ensino da microrregião de Prudentópolis. A
investigação foi realizada em escolas municipais do/no campo desses municípios, por
meio de questionários voltados aos docentes, via formulário online do Google Forms,
por intermédio da Secretaria Municipal de Educação de cada município. O estudo
identificou que, em um processo histórico-social, as escolas do/no campo seguem
entre precarização das condições de trabalho e desmonte das escolas. Trata-se, por
um lado, da negação do direito à educação aos sujeitos do campo e, por outro, da
institucionalização de uma nova precariedade do trabalho, própria da acumulação
flexível. Os trabalhadores do campo, invisibilizados pelo poder público, têm seus
direitos negados ou conquistados de forma parcial e fragmentada, e o mesmo ocorre
com os professores que atuam nesse contexto. As escolas que resistiram no campo
são um espaço de profissionais sobrecarregados, cuja atuação vai além do
desenvolvimento de atividades pedagógicas, e, também, administrativas e de serviços
gerais, funcionando com uma infraestrutura precária, com poucos profissionais e
recursos limitados. As condições de trabalho, decisivas para a permanência dos
professores na docência no campo, são tratadas de forma tangencial e genérica nas
políticas educacionais, permanecendo invisibilizadas nos planos de carreira
municipais e na materialidade da realidade objetiva. As normativas que tratam das
condições de trabalho dos professores do/no campo, nos planos de carreira, limitamse a uma gratificação irrisória de deslocamento e docência em escolas multisseriadas,
evidenciando uma situação de desvalorização, considerando as especificidades do
trabalho que desenvolvem. A práxis docente no campo preserva suas formas
originárias de precarização e multifuncionalidade, com condições inadequadas de
trabalho, seguindo um sentido diametralmente oposto ao da valorização docente,
gerando impactos nas condições de trabalho dos professores do/no campo, sobretudo
na intensificação, na precarização e na desregulação da jornada de trabalho. Opondose a esse processo de desmonte das escolas do/no campo, processos de resistência
são criados. Apesar das condições inadequadas de trabalho, há um movimento de
luta de muitos professores que atuam nessas instituições para manter as escolas no
campo.
escolas do/no campo da Rede Municipal de Ensino dos municípios da microrregião
de Prudentópolis, no estado do Paraná. Os municípios que compõem a referida
microrregião são: Fernandes Pinheiro, Guamiranga, Imbituva, Ipiranga, Ivaí,
Prudentópolis e Teixeira Soares. Ancorados no materialismo histórico e dialético,
realizou-se um estudo bibliográfico e documental e aplicação de questionários.
Inicialmente, foi realizada uma discussão sobre as relações entre a nova morfologia
do trabalho na sociedade capitalista e as políticas de valorização docente, no Brasil,
partindo da constituição ontológica do trabalho e seus desdobramentos em suas
formas de ser posteriores, na sociedade capitalista, para compreender o seu impacto
no campo educacional e na práxis docente. A exposição também contempla a análise
das políticas de valorização de professores, no Brasil, e de dados estatísticos; a
análise documental de leis e atos normativos que versam sobre a valorização docente
e as políticas de Educação do Campo; e a análise dos planos de carreira dos
professores da Rede Municipal de Ensino da microrregião de Prudentópolis. A
investigação foi realizada em escolas municipais do/no campo desses municípios, por
meio de questionários voltados aos docentes, via formulário online do Google Forms,
por intermédio da Secretaria Municipal de Educação de cada município. O estudo
identificou que, em um processo histórico-social, as escolas do/no campo seguem
entre precarização das condições de trabalho e desmonte das escolas. Trata-se, por
um lado, da negação do direito à educação aos sujeitos do campo e, por outro, da
institucionalização de uma nova precariedade do trabalho, própria da acumulação
flexível. Os trabalhadores do campo, invisibilizados pelo poder público, têm seus
direitos negados ou conquistados de forma parcial e fragmentada, e o mesmo ocorre
com os professores que atuam nesse contexto. As escolas que resistiram no campo
são um espaço de profissionais sobrecarregados, cuja atuação vai além do
desenvolvimento de atividades pedagógicas, e, também, administrativas e de serviços
gerais, funcionando com uma infraestrutura precária, com poucos profissionais e
recursos limitados. As condições de trabalho, decisivas para a permanência dos
professores na docência no campo, são tratadas de forma tangencial e genérica nas
políticas educacionais, permanecendo invisibilizadas nos planos de carreira
municipais e na materialidade da realidade objetiva. As normativas que tratam das
condições de trabalho dos professores do/no campo, nos planos de carreira, limitamse a uma gratificação irrisória de deslocamento e docência em escolas multisseriadas,
evidenciando uma situação de desvalorização, considerando as especificidades do
trabalho que desenvolvem. A práxis docente no campo preserva suas formas
originárias de precarização e multifuncionalidade, com condições inadequadas de
trabalho, seguindo um sentido diametralmente oposto ao da valorização docente,
gerando impactos nas condições de trabalho dos professores do/no campo, sobretudo
na intensificação, na precarização e na desregulação da jornada de trabalho. Opondose a esse processo de desmonte das escolas do/no campo, processos de resistência
são criados. Apesar das condições inadequadas de trabalho, há um movimento de
luta de muitos professores que atuam nessas instituições para manter as escolas no
campo.
Como Citar:
CRUZ, Tânia Parolin da. As condições de trabalho dos professores em escolas do/no campo: análise dos municípios da microrregião de Prudentópolis – PR. 2023. 278 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2023
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