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EDUCAÇÃO DO CAMPO E A CONTRARREFORMA DO ENSINO MÉDIO (LEI Nº 13.415/2017) NO ESTADO DO PARANÁ


Resumo:

Esta pesquisa, vinculada à linha de pesquisa História da Educação, Políticas e Práticas
Educativas e ao Grupo de Estudos e Pesquisas Estado, Políticas Educacionais e
Formação de Professores/as (EPEFOP), tem como objetivo central verificar as
implicações da Contrarreforma do Ensino Médio no estado do Paraná e as formas de
resistência sob a ótica das escolas de acampamentos e assentamentos do MST que
organizam sua proposta em Ciclos de Formação Humana com Complexos de Estudo.
Tais escolas são síntese da conquista e consolidação da política pública de Educação
do Campo efetivada noBrasil nas últimas duas décadas. Na perspectiva do materialismo
histórico-dialético, recorreu-se à revisão bibliográfica, à análise de documentos, a
exemplo de materiais publicados em sites de agentes privados, bem como aos
documentos produzidos pelas Escolas e socializados junto ao Coletivo Estadual de
Educação do MST no estado do Paraná (CEEMST/PR). Envolveu, ainda, a realização
de entrevistas semiestruturadas com um dos responsáveis pela coordenação do
Coletivo Estadual de Educação do MST/PR e um membro de cada coletivo pedagógico
das escolas que oferecem o Ensino Médio, a fim de identificar como o conjunto das
escolas de áreas de acampamentos e assentamentos do MST que organizam sua
proposta educacional através dos Ciclos de Formação Humana (CFH) com Complexos
de Estudo têm se posicionado diante da Contrarreforma do Ensino Médio. Verificouse que a política educacional em tela, situada no modelo neoliberal, apresenta uma
política curricular autoritária, marcada pela ausência de participação da classe
trabalhadora, o que acirra a dualidade no sistema escolar brasileiro e mantém o
controle e a exploração sobre a classe trabalhadora, com vistas ao empresariamento
da educação pública. A contrarreforma que está em vigor padroniza o currículo
paranaense (CREP), nega a Educação do Campo e reduz as possibilidades de
desenvolvimento da reflexão crítica e analítica ao reduzir ou retirar disciplinas das
áreas das ciências humanas e incorporar componentes curriculares voltados ao
aprender a aprender, ou aprender a empreender. Revelaram-se resistências e
alternativas à política curricular em tela com a luta fundante pela revogação, no
contexto investigado – a exemplo da criação do Itinerário Integrado – para promover
a formação omnilateral da juventude campesina. Compreende-se que é urgente a
revogação da Contrarreforma do Ensino Médio e que as Escolas organizadas em CFH
com Complexos de Estudo podem contribuir para a configuração de um Ensino Médio
centrado no trabalho enquanto método geral, na direção contrária à Contrarreforma,
como expressão de um projeto de educação vinculado aos interesses da classe
trabalhadora para a construção de uma nova hegemonia.

Como Citar:

SCHEEREN, Sandra Gunkel. Educação do Campo e a Contrarreforma do Ensino Médio (LEI Nº 13.415/2017) no Estado do Paraná. 156 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Estadual de Maringá. Orientador: Dr. Marcos Vinicius Francisco. Maringá, 2024.
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