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HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DE PROFESSORAS RURAIS DO MUNICÍPIO DE MARINGÁ – PR (1951-1982)


Resumo:

O presente estudo analisa a constituição da profissão docente no meio rural do
município de Maringá-PR, mediante memórias narradas por professoras primárias, a
fim de compreender os sentidos construídos no magistério rural. Com esta
finalidade, propõe delinear o funcionamento e organização das escolas rurais,
identificar quem eram seus professores e professoras, o processo de ingresso na
carreira, a formação inicial e em serviço. A pesquisa está situada no campo da
História e Historiografia da Educação, sob a perspectiva metodológica da história
oral, produzida por meio das narrativas de professoras rurais, bem como amparada
em fontes documentais e nas análises historiográficas sobre a temática. A escolha
da delimitação temporal se deu a contar da fundação do município de Maringá, em
1951, momento de criação e institucionalização das primeiras escolas primárias no
meio rural, até o ano de 1982, fase marcada pelo fim do processo de nucleação das
Escolas Rurais. Os resultados apontam que, na década de 1950, ocorreu a criação
do maior número das Escolas Rurais do município e que a maioria dos prédios era
de madeira – material comum nas construções da época devido à grande oferta
advinda da derrubada da mata nativa para a abertura de sítios, fazendas e cidades
tendo apenas uma sala de aula e uma única professora, lecionando para classes
multisseriadas. Estas, por sua vez, iniciavam suas carreiras como professoras
leigas, por intermédio de indicação política ou de pessoas influentes da comunidade
local. Verificou-se que, na década de 1950, as professoras não recebiam formação
em serviço, nem orientações sobre o trabalho pedagógico, apesar de receberem
visitas dos inspetores, cenário que teve modificações com a implementação da LDB
nº 4.024/61, no que se refere à orientação do trabalho pedagógico, e com a LDB nº
5.692/71, no sentido da formação em serviço. Sobre o trabalho desenvolvido com os
alunos, foi possível inferir que, mesmo em condições adversas, as professoras
buscavam exercer o seu trabalho de forma a atender às necessidades dos alunos
das Escolas Rurais. Constatou-se que as relações com alunos, pais e comunidade
rural foram pontuadas como positivas e sem maiores conflitos por parte das
professoras. Parte delas se relacionava de maneira mais próxima com as
comunidades, enquanto outras ficavam restritas somente aos horários de aula. Os
sentidos atribuídos pelas professoras rurais estão relacionados ao sentimento de
valorização e reconhecimento por parte dos alunos, pais e comunidade rural sobre o
trabalho desenvolvido nas Escolas Rurais do município de Maringá.

Como Citar:

ZAMFERRARI, Jaqueline Gomes. HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DE PROFESSORAS RURAIS DO MUNICÍPIO DE MARINGÁ-PR (1951-1982). 178 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Estadual de Maringá. Orientadora: Analete Regina Schelbauer, Maringá-PR, 2020.
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