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UMA ESCOLA PARA O CAMPO NA CIDADE: A reconstrução das identidades dos alunos do campo no cotidiano do CEC Adélia Rossi Arnaldi


Resumo:

Partindo da proposta de compreensão de uma escola do campo situada na cidade,
busquei desenvolver este estudo a partir do objetivo de interpretar como a escola e
suas práticas cotidianas contribuíram para a criação e recriação das identidades dos
alunos oriundos do meio rural do Colégio Estadual do Campo (CEC) Adélia Rossi
Arnaldi. Desenvolvi a proposta para essa pesquisa a partir da relação campo-cidade.
Na abordagem das legislações estadual e federal que regulamentam a educação do
campo, o campo é apresentado como diferente da cidade, com sua própria
identidade. Ao regulamentar a educação no campo, os legisladores enfocam a
necessidade de valorizar a identidade do homem do campo. Entretanto, um dos
questionamentos que me acompanhavam no início desse trabalho era quanto à
existência dessa identidade que a legislação busca valorizar, do homem do campo
como diferente e distante das práticas urbanas. Apoiando-me nos embasamentos
teóricos de Bourdieu, pude desenvolver nessa pesquisa uma visão de estrutura
constantemente moldada pelo agente, que dentro das possibilidades que seu
habitus primário lhe permite, vai agindo e construindo sua realidade. Para
complementar essa abordagem, utilizei as contribuições de Althusser para ideologia,
em que pude entendê-la como uma prática presente nos diversos campos e
compondo o habitus do agente. Por fim utilizei as contribuições teóricas de Certeau,
Lefebvre e Heller para interpretar o cotidiano escolar, com vistas a compreender de
que modo as práticas de socialização dos agentes inseridos nesse espaço
contribuíram para a construção e reconstrução das identidades dos alunos do CEC
Adélia Rossi Arnaldi. Ao realizar essa pesquisa, me utilizei da técnica de bricolage,
tanto para construir as discussões teóricas que me orientaram, como para traçar os
procedimentos metodológicos que me permitiram responder a questão proposta no
início. Desse modo, pude analisar, ao mesmo tempo, a estrutura em que o sujeito
está inserido e sua participação no cotidiano da organização escolar - ao observar
as práticas dos sujeitos e suas reações, coletando seus depoimentos por meio de
entrevistas semiestruturadas e de narrativa - e interpretar minhas anotações de
campo e os fragmentos discursivos coletados por meio da análise do discurso
pechetiana. Ao analisar as práticas de socialização e práticas cotidianas dos
sujeitos, pude compreender a constante reconstrução de suas identidades, ao
consumirem a escola como produto cultural de uma forma modificada, diferente do
objetivo inicial da sua instituição, que é a valorização da identidade do homem do
campo. Os alunos, a partir do seu habitus primário construído nas práticas de
socialização em família, buscam na escola uma forma de inserção na vida urbana, e
ao consumirem os produtos culturais da escola, criam um novo produto, e com isso
reconstroem suas identidades no cotidiano escolar.

Como Citar:

ZIOLI, Eline Gomes de Oliveira. Uma escola para o campo na cidade: a reconstrução das identidades dos alunos do campo no cotidiano do CEC Adélia Rossi Arnaldi. 2016. 151 f. Dissertação (Mestrado em Administração) – Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2016.
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