A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA ESCOLA RURAL NO PARANÁ ENTRE 1915 E 1946 E A ATUAÇÃO DOS INSPETORES
Resumo:
Esta pesquisa analisa o processo de institucionalização e expansão das escolas
rurais do Paraná entre os anos de 1915 e 1946 e a relação entre a inspeção escolar e os
professores nesse processo. Neste período o ensino rural passou por transformações que
estiveram ligadas a múltiplos fatores, como a busca pelo melhoramento da agricultura e
desenvolvimento do Paraná. Essas mudanças tiveram a participação dos inspetores, que
observaram de perto as dificuldades do ensino, e além de inspecionar as escolas, tinham atarefa de incentivar e auxiliar o professor. Assim a inspeção escolar se caracterizou em
intermediária entre o governo e as escolas, se configurando na voz do Governo quando
faziam cumprir a lei, e na voz do professor quando exigiam melhores condições de
trabalho. O recorte temporal está ligado à legislação educacional, sendo o ano de 1915,
definido como marco inicial, pela publicação do “Código do ensino do Estado do Paraná”,
que apresentou pela primeira vez na legislação a denominação de escola rural. Como
recorte final definimos o ano de 1946, ano em que houve a implementação da Lei Orgânica
do Ensino Primário e Lei Orgânica do Ensino Normal, na esfera federal, mas que
interferiram diretamente na organização do ensino nos estados. Definimos como recorte
final, leis federais, pois no Estado não houve nenhuma legislação que modificou a
educação como um todo após o Código de Ensino de 1917. A investigação englobou
relatórios, leis, decretos, dentre outros documentos do período, considerados como fontes
primárias, além de fazer uso de bibliografias sobre o tema e o recorte temporal. A tese está
organizada em cinco sessões, nas quais evidenciamos que as escolas isoladas, em sua
maioria, foram escolas rurais, mesmo que assim não fossem denominadas. Para tanto
evidenciamos o contexto em que estava inserida, destacando que a política interveio
especialmente na legislação, formulando diretrizes que deveriam ser seguidas, a economia
nos investimentos feitos, e a questão social, envolveu especialmente a imigração, que
gerou um aumento populacional e veio a incentivar a disseminação de escolas públicas
como um projeto de nacionalização e alfabetização da população. Dentro dessa perspectiva
identificamos cinco tipos de escolas, cada qual com a sua característica própria, porém
podemos agrupá-las em dois grupos, os grupos escolares que eram escolas tipicamente
urbanas, considerados o modelo de escola moderna do período, e as escolas isoladas que
foram instaladas tanto na zona urbana como na rural. Apesar dos grupos escolares
ganharem destaque, eram muito dispendiosos, com isso as escolas isoladas ganharam
ênfase na difusão do ensino, especialmente na zona rural, porém enfrentaram inúmeras
dificuldades, ocasionadas pela sua localização, falta de recursos e formação do professor,
que preferiam as escolas da zona urbana. Apesar da situação precária da maioria das
escolas isoladas rurais, foram elas e os sujeitos que a efetivaram, inspetores e professores,
que levaram a instrução aos lugares mais distantes e isolados do estado do Paraná. Diante
disso, a escola rural estava presente desde o início do período republicano, vindo numa
crescente, que ganhou ênfase e destaque após 1930.
rurais do Paraná entre os anos de 1915 e 1946 e a relação entre a inspeção escolar e os
professores nesse processo. Neste período o ensino rural passou por transformações que
estiveram ligadas a múltiplos fatores, como a busca pelo melhoramento da agricultura e
desenvolvimento do Paraná. Essas mudanças tiveram a participação dos inspetores, que
observaram de perto as dificuldades do ensino, e além de inspecionar as escolas, tinham atarefa de incentivar e auxiliar o professor. Assim a inspeção escolar se caracterizou em
intermediária entre o governo e as escolas, se configurando na voz do Governo quando
faziam cumprir a lei, e na voz do professor quando exigiam melhores condições de
trabalho. O recorte temporal está ligado à legislação educacional, sendo o ano de 1915,
definido como marco inicial, pela publicação do “Código do ensino do Estado do Paraná”,
que apresentou pela primeira vez na legislação a denominação de escola rural. Como
recorte final definimos o ano de 1946, ano em que houve a implementação da Lei Orgânica
do Ensino Primário e Lei Orgânica do Ensino Normal, na esfera federal, mas que
interferiram diretamente na organização do ensino nos estados. Definimos como recorte
final, leis federais, pois no Estado não houve nenhuma legislação que modificou a
educação como um todo após o Código de Ensino de 1917. A investigação englobou
relatórios, leis, decretos, dentre outros documentos do período, considerados como fontes
primárias, além de fazer uso de bibliografias sobre o tema e o recorte temporal. A tese está
organizada em cinco sessões, nas quais evidenciamos que as escolas isoladas, em sua
maioria, foram escolas rurais, mesmo que assim não fossem denominadas. Para tanto
evidenciamos o contexto em que estava inserida, destacando que a política interveio
especialmente na legislação, formulando diretrizes que deveriam ser seguidas, a economia
nos investimentos feitos, e a questão social, envolveu especialmente a imigração, que
gerou um aumento populacional e veio a incentivar a disseminação de escolas públicas
como um projeto de nacionalização e alfabetização da população. Dentro dessa perspectiva
identificamos cinco tipos de escolas, cada qual com a sua característica própria, porém
podemos agrupá-las em dois grupos, os grupos escolares que eram escolas tipicamente
urbanas, considerados o modelo de escola moderna do período, e as escolas isoladas que
foram instaladas tanto na zona urbana como na rural. Apesar dos grupos escolares
ganharem destaque, eram muito dispendiosos, com isso as escolas isoladas ganharam
ênfase na difusão do ensino, especialmente na zona rural, porém enfrentaram inúmeras
dificuldades, ocasionadas pela sua localização, falta de recursos e formação do professor,
que preferiam as escolas da zona urbana. Apesar da situação precária da maioria das
escolas isoladas rurais, foram elas e os sujeitos que a efetivaram, inspetores e professores,
que levaram a instrução aos lugares mais distantes e isolados do estado do Paraná. Diante
disso, a escola rural estava presente desde o início do período republicano, vindo numa
crescente, que ganhou ênfase e destaque após 1930.
Como Citar:
SANTI, Denize Naiara. A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA ESCOLA RURAL NO PARANÁ ENTRE 1915 E 1946 E A ATUAÇÃO DOS INSPETORES. (268 f.). Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual de Maringá. Orientador(a): Analete Regina Schelbauer; Coorientador: André Paulo Castanha. Maringá, 2020.
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