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EDUCAÇÃO FINANCEIRA DO CAMPO: UMA PROPOSTA MARXISTA


Resumo:

A discussão do tema de Educação Financeira no Brasil ganha força a partir de 2010, com a aprovação da Estratégia Nacional de Educação Financeira, de tal forma que o tema se torna presente na Base Nacional Comum Curricular e em diversas propostas curriculares estaduais e municipais. Uma dessas propostas é a do estado do Paraná, que instituiu a unidade curricular de “Educação Financeira” para cada série do Novo Ensino Médio de todas as escolas da rede pública de ensino estadual, inclusive em escolas do campo, de uma forma geral, e, mais especificamente, em escolas situadas em áreas de Reforma Agrária. Tais escolas situadas em áreas de Reforma Agrária possuem diretrizes pedagógicas elaboradas pelo Setor de Educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do estado do Paraná, que se baseiam na pedagogia socialista e buscam pôr em prática os complexos de estudo para o estudo da realidade viva. De um lado, no que se refere à Educação Financeira proposta pelo estado do Paraná, pesquisas indicam que, nos conhecimentos abordados nessa unidade curricular, é possível de observar a procura de incentivo ao homo economicus, uma visão superficial dos aspectos econômicos junto de um forte incentivo ao empreendedorismo, incoerente com a própria história do ser empreendedor. De outro lado, considerando o conhecimento produzido na Educação do Campo, em especial aquele produzido pelo Setor de Educação do MST, não é possível fazer presentes os entendimentos defendidos no currículo de Educação Financeira do Novo Ensino Médio do Paraná, sendo necessário, portanto, a partir de uma perspectiva crítica, suprassumir a própria unidade curricular. Com isso, o objetivo desta pesquisa foi elaborar e analisar o desenvolvimento de uma proposta de suprassunção da unidade curricular de Educação Financeira, em que fossem considerados pressupostos marxistas e da Educação do Campo. Para isso, a pesquisa percorreu quatro etapas: (i) análise da unidade curricular de Educação Financeira das escolas da rede pública estadual de ensino do Paraná; (ii) elaboração de proposta alternativa referente a unidade curricular de Educação Financeira para as três séries do Ensino Médio; (iii) aplicação de parte da proposta elaborada na etapa anterior nas três séries do Ensino Médio de uma escola do campo (situada em um assentamento de Reforma Agrária); (iv) análise de parte do desenvolvimento da proposta aplicada na etapa anterior. Ao fim das etapas da pesquisa, conclui-se que alguns saberes do senso comum dos estudantes dão lugar a conhecimentos científicos, corroborando, assim, para a apreensão real dos movimentos de temas econômicos que fazem parte da realidade dos estudantes. Um dos frutos da pesquisa foi o produto educacional, que teve como objetivo auxiliar os professores da unidade curricular de Educação Financeira para a Cooperação das escolas de assentamento e acampamento, na preparação de suas aulas. Com uma proposta de sequência didática, o material fornece referenciais teóricos para a unidade curricular e sugestões didáticas para o professor desenvolver em sala de aula. Sobretudo, o produto tem por intuito contribuir para a compreensão do professor dessa unidade curricular da função da escola na sociedade: colaboradora no processo de ensino e de aprendizagem para o estudo e a transformação da realidade.

Como Citar:

TOLOMEOTTI, Lucas Gabriel dos Santos. Educação financeira do campo: uma proposta marxista. 2024. Dissertação (Mestrado em Ensino de Matemática) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Londrina, 2024.
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