“O LUGAR DE ONDE EU FALO ESTÁ EM UM CONTEXTO DE MUITA LUTA, DE MUITA RESISTÊNCIA” – LINGUAGEM E REPRESENTAÇÃO: SENDO PROFESSOR EM ESCOLA DO CAMPO
Resumo:
Ser professor é um desafio constante. Ser professor da Escola do Campo é um desafio maior ainda, pois ela está inserida em um contexto de fechamento e pouco investimento. A problemática desta pesquisa está diretamente ligada às seguintes perguntas: Como os professores que atuam em escolas do campo concebem o que é ser professor de escola do campo? De que forma essas representações influenciam/contribuem na construção de uma identidade da escola do campo? Esta pesquisa tem como objetivo geral compreender as representações sobre identidade de professores que atuam em escolas do campo e suas relações com a constituição de uma escola diferenciada, na região Sudoeste do Paraná. E como objetivos específicos compreender por meio da materialidade linguístico-discursiva as relações identidade/linguagem; e a relação linguagem/cultura. Para tanto, a construção de fundamentação teórica relaciona-se à Educação do Campo (KOLLING, CERIOLI & CALDART, 2002; CALDART, 2013; MOLINA & SÁ, 2013; RIBEIRO, 2013; SAVIANI, 2016; BEZERRO NETO e SANTOS, 2016, FÉLIX, 2016, Representação (HALL, 1997; WOODWARD, 2014; SILVA, 2014; FOUCAULT, 2008 e BERGER e LUCKMAN, 1985); Identidade (HALL, 1997; 2014, 2020; MCGREW, 1992; SILVA, 2014; WOODWARD, 2014; BHABHA, 1998; BURITY, 2014; SKLIAR, 2003; CHAUÍ, 1980; BERGER e LUCKMAN, 1985; CUCHE, 1999) e Identidade do Professor SAVIANI (1991); GHIRALDELLI (2006); PIMENTA (1997); NÓVOA (2019); GALINDO (2004); WENGER (1998). Esta pesquisa configura-se como qualitativa, (MINAYO, 2016; YIN, 2016) interpretativista (SCHWANDT, 2006; MOITA-LOPES, 1999). Para esta investigação foram realizadas visitas a três escolas do campo da região Sudoeste de Paraná, sendo uma escola da cidade de Francisco Beltrão, uma de Enéas Marques e uma de Itapejara D’Oeste. A coleta de dados se deu através de entrevistas em grupo (GIL, 2008; MINAYO, 2016), on-line. Realizadas as análises, os dados foram organizados a partir de categorias que se destacaram: Representações acerca dos conceitos de afetividade, de sentimento de pertencimento, de metodologia e de reformas educacionais e reorganização do trabalho pedagógico. Os resultados da pesquisa demonstram que a articulação entre o psicológico e o social que compõem a identidade do indivíduo (CUCHE, 1999), pode ser evidenciada por meio da linguagem das professoras em suas declarações de afetividade e de pertencimento à escola, à comunidade, ou seja, à interação com os ambientes de circulação. Em relação às questões de metodologia do trabalho do professor da escola do campo, a análise realizada é que há uma //busca por parte das professoras em adequar seu trabalho à realidade dos alunos das escolas do campo, reconhecendo que o Projeto Político-Pedagógico é um instrumento orientador das práticas para além do ambiente escolar, em outros espaços e tempos (CALDART, 2002). Sobre a reorganização do trabalho pedagógico devido às reformas educacionais, a conclusão que chegamos é que há muitos desafios para o trabalho com a Educação do Campo frente à plataformização do ensino nas escolas públicas do Paraná. Por fim, consideramos que aquilo que define o professor da escola do campo é a capacidade de ser sensível ao contexto cultural dos alunos do campo, a busca por formação continuada adequada à modalidade de educação e constante resistência aos ataques que a educação vem sofrendo.
Como Citar:
BERNARTT, Aline. "O lugar de onde eu falo está em um contexto de muita luta, de muita resistência": linguagem e representação sendo professor em escola do campo. 2023. Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Pato Branco, 2023.
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