CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO DO CAMPO: UMA EXPERIÊNCIA CONTRA-HEGEMÔNICA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
Resumo:
Este estudo acadêmico diz respeito à análise da implantação do Curso de
Licenciatura em Educação do Campo com Habilitação em Ciências da Natureza
(Lecampo) na Universidade Federal do Paraná - Setor litoral (UFPR-Litoral), que foi
viabilizado pelo Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em
Educação do Campo (PROCAMPO), com a finalidade de sanar as históricas
desvantagens educacionais sofridas pela população rural e destinado a formar
docentes que atuarão nas escolas do campo. Sendo assim, a sua implantação
representa a aplicação prática de uma política pública potencialmente impactante
para a população que vive nas regiões do litoral paranaense e do Vale do Ribeira,
comunidades fundamentalmente rurais e historicamente negligenciadas pela gestão
pública, onde o Curso atua. A partir da pesquisa, podemos concluir que a
implantação da Lecampo foi uma experiência contra-hegemônica, em relação ao
modelo hegemônico predominante na Universidade. Nesta perspectiva o presente
trabalho tem como objetivo geral identificar, nessa trajetória, os aspectos
correspondentes à ruptura do paradigma dominante, relacionados ao paradigma da
Educação do Campo, que firma-se em oportunizar ao povo campesino, uma
formação docente capacitada a promover uma educação baseada em novos
princípios, valores e signos que vão além do capital e da educação mercantilista que
caracteriza os sistemas de ensino na atualidade. A pesquisa assume uma
abordagem exploratória qualitativa e faz uso da metodologia do estudo de caso
acerca dos arquivos de registros oficiais que compõem a memória da Lecampo, com
o apoio dos principais referenciais teóricos disponíveis na área. A coleta de dados foi
realizada através de questionários semiestruturados aplicados aos docentes
envolvidos no processo, participação em reuniões do colegiado do Curso e em sala
de aula com os(as) educandos(as). Entre os aspectos que demonstram o modo
contra-hegemônico pelo qual a implantação da Lecampo no Setor litoral se
desenvolveu, destaca-se o fato de ela ter emergido a partir de uma política pública
historicamente conquistada por seus próprios beneficiários, ou seja, os
trabalhadores do campo, que empenharam décadas de lutas com o Ministério da
Educação (MEC) pleiteando uma educação que contemple as especificidades da
vivência no campo e do campo. Outra característica que demonstra a experiência
contra-hegemônica em relação a implantação do Curso, diz respeito à convergência
das diretrizes que alicerçam o Projeto Político Pedagógico do Curso (PPC), com as
especificidades da vida no campo e com as questões fundamentais que envolvem o
tema do desenvolvimento territorial sustentável das regiões em questão neste
estudo, conforme preveem os princípios do PROCAMPO.
Licenciatura em Educação do Campo com Habilitação em Ciências da Natureza
(Lecampo) na Universidade Federal do Paraná - Setor litoral (UFPR-Litoral), que foi
viabilizado pelo Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em
Educação do Campo (PROCAMPO), com a finalidade de sanar as históricas
desvantagens educacionais sofridas pela população rural e destinado a formar
docentes que atuarão nas escolas do campo. Sendo assim, a sua implantação
representa a aplicação prática de uma política pública potencialmente impactante
para a população que vive nas regiões do litoral paranaense e do Vale do Ribeira,
comunidades fundamentalmente rurais e historicamente negligenciadas pela gestão
pública, onde o Curso atua. A partir da pesquisa, podemos concluir que a
implantação da Lecampo foi uma experiência contra-hegemônica, em relação ao
modelo hegemônico predominante na Universidade. Nesta perspectiva o presente
trabalho tem como objetivo geral identificar, nessa trajetória, os aspectos
correspondentes à ruptura do paradigma dominante, relacionados ao paradigma da
Educação do Campo, que firma-se em oportunizar ao povo campesino, uma
formação docente capacitada a promover uma educação baseada em novos
princípios, valores e signos que vão além do capital e da educação mercantilista que
caracteriza os sistemas de ensino na atualidade. A pesquisa assume uma
abordagem exploratória qualitativa e faz uso da metodologia do estudo de caso
acerca dos arquivos de registros oficiais que compõem a memória da Lecampo, com
o apoio dos principais referenciais teóricos disponíveis na área. A coleta de dados foi
realizada através de questionários semiestruturados aplicados aos docentes
envolvidos no processo, participação em reuniões do colegiado do Curso e em sala
de aula com os(as) educandos(as). Entre os aspectos que demonstram o modo
contra-hegemônico pelo qual a implantação da Lecampo no Setor litoral se
desenvolveu, destaca-se o fato de ela ter emergido a partir de uma política pública
historicamente conquistada por seus próprios beneficiários, ou seja, os
trabalhadores do campo, que empenharam décadas de lutas com o Ministério da
Educação (MEC) pleiteando uma educação que contemple as especificidades da
vivência no campo e do campo. Outra característica que demonstra a experiência
contra-hegemônica em relação a implantação do Curso, diz respeito à convergência
das diretrizes que alicerçam o Projeto Político Pedagógico do Curso (PPC), com as
especificidades da vida no campo e com as questões fundamentais que envolvem o
tema do desenvolvimento territorial sustentável das regiões em questão neste
estudo, conforme preveem os princípios do PROCAMPO.
Como Citar:
DAHMER, Edilene Beatriz . Curso de Licenciatura em Educação do Campo: uma experiência contra-hegemônica na Universidade Federal do Paraná. 2022. 101 f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Territorial Sustentável) – Setor Litoral, Universidade Federal do Paraná, Matinhos, 2022.
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