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REDE DE SABERES: POSSÍVEIS DIÁLOGOS DA EDUCAÇÃO DO CAMPO COM OS SABERES LOCAIS E OS CONHECIMENTOS CIENTÍFICOS NO ENSINO DE CIÊNCIAS NOS ANOS INICIAIS


Resumo:

Os lugares são espaços de encontros e de diálogos, nos quais emergem as diferentes identidades dos sujeitos, movimentando suas existências. São nos lugares em que a vida acontece, com suas particularidades e, sobretudo, com seus saberes. Contudo, o ato epistemológico que fez as ciências modernas existirem deslegitimou os saberes, ocupando seus lugares de maneira hegemônica e opressora. Assim, este trabalho foi tecido com o seguinte objetivo: investigar possíveis relações entre os saberes locais e os conhecimentos científicos, em uma classe multianos dos anos iniciais, buscando promover um encontro com a educação do campo da/na ilha que contemple o ensino de ciências, em uma escola localizada no município de Guaraqueçaba, litoral do Paraná. O pensamento de Michel Foucault constitui o pano de fundo teórico deste estudo, num diálogo que tem como linha condutora uma metáfora: a rede de saber. Cada parte da rede será representada por elementos como, saber, poder, sujeito [identidade] e território, em um movimento que mistura o real e as ficções das possibilidades.
O estudo possui cunho qualitativo e emprega o método de Estudo de Caso do tipo Etnográfico. A constituição de dados foi realizada a partir da observação e descrição, utilizando como ferramentas o caderno de campo, gravações de áudio, fotografias e conversas informais com os
pescadores/moradores locais e uma entrevista com a pedagoga do colégio. A análise e o tratamento dos dados decorreram da metodologia da análise do discurso foucaultiana. E no percurso deste trabalho, evidenciaram-se muitas problemáticas. As identidades dos sujeitos do
campo mostraram-se de suma importância para a composição dos fios que tecem os saberes, uma vez que é a partir do reconhecimento da história social e cultural dos sujeitos do campo que a valorização será compreendida em projetos políticos pedagógicos da escola da/na ilha,
bem como o encontro dialógico em práticas movimentas pelas experiências escolares e que promovam ações contra-hegemônicas frente aos conhecimentos produzidos. Embora as práticas pedagógicas colaborem para a articulação entre os modos de vida e os conhecimentos do ensino de ciências, ainda há uma necessidade de diálogo entre os espaços de conhecimento, isto é, comunidade e escola, que são consideradas fundamentais nos movimentos de luta pela escola do campo da/na ilha. É a partir da experiência dos sujeitos e seus saberes que as ações pedagógicas acontecerão de maneira a produzir um movimento de resistência e fortalecimento de sua relação com o mundo. A conclusão sugere, portanto, uma compreensão das relações dos sujeitos com os movimentos que acontecem na escola, comunidade e no território, buscando estratégias de aproximar os saberes locais e os conhecimentos científicos na tessitura da rede.

Como Citar:

GARCIA, Bruna. Rede de saberes: possíveis diálogos da educação do campo com os saberes locais e os conhecimentos científicos no ensino de ciências nos anos iniciais. 2021. 225 f. Dissertação (Mestrado em Educação em Ciências e em Matemática) – Setor de Ciências Exatas, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2021
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