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ESCOLA QUILOMBOLA E ESCOLA DO CAMPO: A LUTA POR UMA EDUCAÇÃO DECOLONIAL NO COLÉGIO ESTADUAL QUILOMBOLA DIOGO RAMOS E NA ESCOLA MUNICIPAL DO CAMPO AUGUSTO PIRES DE PAULA


Resumo:

O presente trabalho tem o objetivo de trazer resultados de pesquisa sobre a
importância da participação da comunidade na construção de currículo escolar no
fortalecimento de identidade dos povos do campo e quilombolas. E deste ponto de
vista, conhecer como se dá o atendimento a estudantes quilombolas em duas
escolas. Uma, a Escola Municipal do Campo Augusto Pires de Paula, escola
consolidada, no distrito de Três Córregos no município de Campo Largo, Paraná; e
outra, o Colégio Estadual Quilombola Diogo Ramos, que contrapõe o modelo de
escola consolidada e está localizada no quilombo João Surá, em Adrianópolis,
Paraná. A pesquisa foi de caráter qualitativo e a metodologia definida foi o estudo de
caso. O referencial teórico são autores e autoras decoloniais que discutem o
currículo escolar diferenciado para escolas do/no campo e quilombolas na América
do Sul e no Brasil. A dissertação também aborda as lutas dos movimentos sociais
negro e quilombola e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra pela
Educação. As informações foram conseguidas durante visitas em 2020, mas durante
a pandemia os trabalhos continuaram através da internet pelos aplicativos
Whatsapp, Google Meet e e-mail. O trabalho da educação escolar no quilombo João
Surá foi registrado desde o início do século XX, tendo como primeiro professor o
morador Diogo Ramos Mendes, mas, para continuar os estudos nos anos finais do
ensino fundamental, o grupo de jovens precisou se deslocar mais de 20 quilômetros
para fora da comunidade. A comunidade foi certificada pela Fundação Cultural
Palmares em 2006 e o sonho de poder continuar os estudos na comunidade tornou
se realidade em 2009 com a construção do colégio que oferece os anos finais do
ensino fundamental e ensino médio. A comunidade quilombola Palmital dos Pretos
também foi certificada no ano de 2006, mas a escola da comunidade foi fechada em
1981 e as crianças viajam 20 quilômetros para estudar, e as famílias têm pouca
participação na escola, contrariando o decreto 7.352/10, que dispõe sobre a Política
de Educação do Campo, e a resolução 08/12, que define as Diretrizes da Educação
Escolar Quilombola. Conforme o que aponta a legislação sobre educação escolar
para os povos do campo e quilombola, a Escola Municipal do Campo Augusto Pires
de Paula precisa garantir no Projeto Político Pedagógico os conhecimentos e
histórias da comunidade quilombola Palmital dos Pretos. Já o Colégio Estadual
Quilombola Diogo Ramos segue o que determinam a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional e a resolução 08/12.

Como Citar:

FREITAS JUNIOR, Benedito Florindo de. Escola quilombola e escola do campo: a luta por uma educação decolonial no Colégio Estadual Quilombola Diogo Ramos e na Escola Municipal do Campo Augusto Pires de Paula. 2021. 133 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Setor de Educação, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2021.
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