A PRESENÇA DO LIVRO DIDÁTICO DE HISTÓRIA EM AULAS DO ENSINO MÉDIO: ESTUDO ETNOGRÁFICO EM UMA ESCOLA DO CAMPO
Resumo:
A presente tese tem como tema a presença do livro didático de História em aulas do ensino médio em uma escola que é identificada oficialmente como Escola do Campo. Investiga formas de uso do livro nas aulas de História, o ponto de vista dos alunos do Ensino Médio sobre os livros didáticos de História incluídos no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) 2012 e as relações que são estabelecidas com o conhecimento histórico a partir do livro didático. Apoia-se teoricamente nas indicações de Rüsen (2010b) quanto ao livro didático ideal e leva em consideração as determinações e os critérios derivados do Programa Nacional do Livro Didático que estão materializados nos Editais e Guias de Livros Didáticos PNLD 2012. Parte dos pressupostos de que há aprendizagens específicas da História e de que elas exigem a atenção do professor para o pensamento histórico dos alunos, sendo necessário investigar a existência de especificidades no ensino de História para alunos de Escolas do Campo e que um dos recursos relevantes na produção das aulas é o livro didático. Portanto, é necessário fazer aproximações com as salas de aula para compreender o que professores e alunos pensam sobre os manuais escolares e de que forma os utilizam para ensinar e aprender. A pesquisa, de natureza etnográfica, foi realizada entre 2010 e 2014. O trabalho empírico foi realizado em uma Escola do Campo durante o ano letivo de 2012, com a colaboração de três professores de História e seis turmas de ensino médio, totalizando cento e doze alunos. Como principal estratégia de pesquisa, foi utilizada a observação participante. Foram realizadas entrevistas e análise documental e foram utilizados instrumentos na forma de questionários e atividades de análise de livros didáticos com os alunos. Os resultados permitiram constatar diferentes relações que professores e alunos estabelecem com o conhecimento histórico a partir do uso dos livros didáticos e permitiram verificar que, ao analisar os livros, os jovens utilizam tanto critérios de ordem geral – como a qualidade dos textos e imagens – quanto critérios específicos da História – como a presença de fontes e abordagem cronológica dos conteúdos. Em conclusão, com base no conjunto de dados produzidos no trabalho empírico, defende-se a tese de que: os jovens devem ser incluídos como sujeitos que opinam sobre os livros a serem usados, e que o livro didático de História pode e deve recorrer à(s) experiência(s) particular(es) como ponto de partida e de referência, sem no entanto tornar o ensino de História refém do particularismo. Nesse sentido, as especificidades da Escola do Campo devem ser a referência de origem, mas não a grade de confinamento dos jovens alunos em relação aos conhecimentos históricos.
Como Citar:
CHAVES, Edilson Aparecido. A presença do livro didático de história em aulas do ensino médio: estudo etnográfico em uma escola do campo. 2015. 241 f. Tese (Doutorado em Educação) – Setor de Educação, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2015.
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