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AS VOZES CONSTITUTIVAS DA EDUCAÇÃO DO CAMPO: do nascedouro aos dias atuais (1998-2018).


Resumo:

Com este trabalho, pretendemos compreender as vozes que constituíram a
Educação do Campo como signo ideológico desde o seu nascedouro até os dias
atuais (1998-2018). Para tanto, interessa-nos as lutas discursivas, expressas nas
mais diversas esferas de atividade humana e nos gêneros discursivos e, desse
modo, buscamos construir compreensões a partir de um conjunto de dados
heterogêneos, com enunciados que abordam concepções, valorações e tomadas de
posições divergentes ao se tratar da Educação do Campo. Com o recorte temporal
a partir da década de noventa, traçamos três objetivos que fundamentaram a
construção dos capítulos deste texto: 1.Estudar discursivamente as disputas que
acontecem no território camponês por conta do jogo entre rural e urbano e como
essas disputas são refletidas e refratadas na esfera das políticas públicas
educacionais; 2. Compreender a constituição da Educação do Campo como um
signo ideológico e perceber quais as relações de identidade e de alteridade
presentes nesse signo; 3. Auscultar as vozes presentes em dois projetos políticos
pedagógicos com a intenção de compreender as disputas territoriais, educacionais e
de luta de classe presentes na materialidade verbal desses documentos. O território
camponês (o campo) é um signo ideológico em disputa, uma vez que há forças
contraditórias que defendem interesses divergentes relacionados ao uso desse
espaço e de sua organização. Essa dinâmica territorial também se reflete e se
refrata nas ações e nos documentos educacionais, constituindo duas frentes que se
entrecruzam em termos de discursos e de interesses de classe; de um lado, a
chamada educação rural, constatada em documentos oficiais, que atende às
recomendações do neoliberalismo e da globalização em ascensão, da transposição
dos dizeres escolares urbanos para o rural; de outro, a Educação do Campo, que
nasce na contradição, no confronto e que tensiona o que já está dado, baseia-se
nas lutas populares, proporcionada pelos movimentos sociais, na ideologia do
cotidiano, pelos sujeitos do campo que pleiteavam uma organização educacional
promovida pelas bases da sociedade. Com essas linhas divergentes de concepção
do território camponês e da Educação do Campo, compreendemos que nos
processos de constituição de políticas educacionais do campo existem diferentes
interesses ideológicos, que aqui foram estudados pela linguagem, pela palavra e
pelos signos.

Como Citar:

PAULETTI, Jéssica. As vozes constitutivas da Educação do Campo: do nascedouro aos dias atuais (1998-2018). Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal da Fronteira Sul - Campus Chapecó. Chapecó. 2018.
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