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ESPECIFICIDADES DA EDUCAÇÃO E DA ESCOLA DO CAMPO: DOCUMENTOS OFICIAIS E PRODUÇÃO BIBLIOGRÁFICA EM ANÁLISE (1996-2016)


Resumo:

Tese de doutorado sobre especificidades da Educação do Campo e da Escola do Campo. Objetiva contribuir para a compreensão dos significados da especificidade da Educação do Campo e da escola do campo que circulam na cultura escolar como resultado da produção de diferentes sujeitos sociais. Apoia-se teoricamente nas indicações de Bourdieu sobre a pesquisa sociológica para definir os princípios metodológicos que orientaram a construção da problemática e definiram as formas de analisar o corpus documental. Parte da reconstrução da trajetória da educação para as populações do campo no Brasil, em particular com focalização nos argumentos que têm sido usados para justificar sua especificidade, como forma de fazer a crítica epistemológica ao conhecimento sobre o tema e exercer o controle necessário sobre as concepções pré-construídas pela pesquisadora. Analisa documentos dos movimentos sociais de luta pela Educação do Campo para estabelecer as condições de produção nas últimas décadas (1996 – 2016) a partir da quais se construiu a concepção de Educação do Campo, em particular cartas e manifestos, para elencar os elementos privilegiados na defesa de sua especificidade. Apresenta mapeamento dos elementos referidos como justificativa para a Educação e a Escola do Campo na legislação federal e na legislação do Paraná, tomada como exemplar. Destaca os elementos relacionados à argumentação quanto à especificidade da Educação e da Escola do Campo que têm sido objeto de elaborações nos textos acadêmicos, especialmente em livros e artigos produzidos por pesquisadores vinculados ao tema da Educação do Campo. Analisa o conteúdo dos materiais selecionados, a partir das categorias produzidas no diálogo entre a teoria e os materiais empíricos. As categorias articulam elementos que compõem os diferentes tipos de argumento encontrados no corpus documental, utilizados pelos autores para justificar a necessidade de uma Educação e de uma escolarização específicas para a população do campo. Esses elementos estão relacionados a processos sociais amplos e a processos que compõem a experiência escolar, e foram definidos em torno de: 1) Elementos ligados às relações econômicas; 2) Elementos relacionados às características socio culturais ou identitárias; 3) Elementos relacionados à organização da experiência escolar; 4) Elementos didáticos e metodológicos da experiência escolar. Foi possível explicitar, a partir do corpus documental analisado, que elementos constituem argumentos utilizados por diferentes instâncias da sociedade brasileira para defender e propor uma escola pública de qualidade específica para as populações do campo. Compreender as condições históricas em que foram produzidos tais argumentos e organizá-los em categorias do conhecimento científico foi a contribuição desta pesquisa. Em conclusão, com base no conjunto do corpus documental analisado, defende-se a tese de que os argumentos para justificar a especificidade da Educação e da Escola do Campo sofreram transformações expressivas nas duas últimas décadas, por força dos contextos de produção, como resultado principalmente das estratégias de articulação dos movimentos sociais com os espaços de produção de conhecimento científico, em particular com as universidades, o que propiciou um deslocamento dos argumentos em direção à experiência escolar em suas múltiplas dimensões, ainda que sem abandonar as justificativas pautadas em elementos econômicos e sócio identitários

Como Citar:

MENDES, Marciane Maria. Especificidades da educação e da escola do campo: documentos oficiais e produção bibliográfica em análise (1996-2016). Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal da Fronteira do Sul – Universidade Federal do Paraná. Curitiba. 2017.
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