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A GÊNESE DA ESCOLA POPULAR E SUA EXPERIÊNCIA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL DESENVOLVIDA NA ESCOLA FAMÍLIA CAMPONESA NA DÉCADA DE 1990 EM MACHADINHO D’OESTE-RO


Resumo:

Este trabalho tem como objetivo conhecer e analisar a gênese da Escola Popular, seus fundamentos teóricos e práticos aplicados na Escola Família Camponesa na década de 1990 em Machadinho d’Oeste-RO, identificando os processos de desenvolvimento da educação integral e sua contribuição na organização do movimento camponês e operário. Buscou-se conhecer as origens da Escola Popular no processo de implantação da Escola Família Camponesa, sua organização e expansão para outros Estados da Federação, além de sua proposta pedagógica, objetivos e princípios filosóficos. Trata-se de um estudo baseado no método do materialismo histórico-dialético, tendo como base quatro categorias fundamentais, a saber: totalidade, contradição, ideologia e práxis. Os sujeitos da pesquisa foram professores e camponeses que ajudaram a construir a Escola Popular em Rondônia. Utilizou-se para coleta de dados a pesquisa bibliográfica, a entrevista semiestruturada e a análise documental. A pesquisa revelou que a Escola Popular foi proposta pela Liga dos Camponeses Pobres- LCP e nasceu articulada aos interesses dos camponeses em sua luta pela terra e pela transformação da sociedade, envolvendo camponeses, professores, estudantes e apoiadores que edificaram coletivamente a construção de uma escola de novo tipo, de politização, trabalho e luta. Devido aos problemas não solucionados, a Escola Família Camponesa funcionou apenas três anos. Os princípios pedagógicos e filosóficos da Escola Popular aplicados na Escola Família camponesa se fundamentam no marxismo e nos aportes das experiências da União Soviética e da China Socialista durante a Grande Revolução Cultural Proletária- GRCP (1966-1976). A pesquisa apontou também alguns elementos da educação integral na perspectiva marxista existentes na Escola Família Camponesa, como o seu funcionamento em tempo integral, a aplicabilidade do princípio da coletividade e da linha de massas. A escola estava ligada à realidade concreta unindo estudo e trabalho produtivo e servia como instrumento de politização para os camponeses, contribuindo com a formação de quadros dirigentes para os movimentos sociais. A Escola Popular refuta a democracia burguesa, defendendo a Revolução de Nova Democracia, interrupta ao socialismo a fim de destruir o capitalismo burocrático, o latifúndio e o imperialismo. Discute-se que o Brasil é um país dominado pelo imperialismo que desenvolve um capitalismo burocrático, semifeudal e semicolonial, por não ter realizado a revolução burguesa e mantido historicamente a questão agrária, com a mais elevada concentração da terra. A dominação imperialista ocorre também na superestrutura. Os organismos internacionais ditam as políticas educacionais e as pedagogias liberais pósmodernas conforme os interesses do mercado capitalista. As concepções e práticas da educação socialista têm sido aplicadas como educação de resistência a exemplo da pedagogia histórico-crítica nas escolas estatais ou em experiências profundamente vinculadas à luta de classes, como a Escola Popular.

Como Citar:

RICARTE, Tatiane Furtado. A gênese da Escola Popular e sua experiência de educação integral desenvolvida na Escola Família Camponesa na década de 1990 em Machadinho d’Oeste-RO. 2018. f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Departamento de Ciências da Educação, Fundação Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho, RO, 2018.
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