MOVIMENTO SOCIAL E POLÍTICA DE EDUCAÇÃO DO CAMPO A PRÁTICA DA CASA FAMILIAR RURAL DE SANTARÉM - PARÁ
Resumo:
Nossa pesquisa tratou da Casa Familiar Rural de Santarém (CFR-STM), baseada na proposta pedagógico-filosófica do movimento social do campo, como alternativa aos filhos de
produtores familiares, de acesso à educação e de resistência ao modelo urbanocêntrico
excludente. Inspirada nas experiências pioneiras de Pedagogia da Alternância, da França
(1935); Itália (1960) e Brasil/Espírito Santo (1969), a Casa Familiar Rural alterna educação e
trabalho em diferentes tempos formativos integrados de teoria e prática, visando a formação
teórica, o aperfeiçoamento prático produtivo no campo e a formação integral dos jovens.
Partimos da compreensão histórica e global da experiência local, no contexto de sua criação
no seio do movimento social, até a construção do processo territorial de diálogos e negociação com o Estado, no debate sobre a política educacional e desenvolvimento do/no campo. Destacamos os interesses antagônicos e contraditórios entre Estado e movimento social, diante das lutas para a emancipação dos seus sujeitos e constituição do poder local. A pesquisa surgiu da necessidade de analisar, como uma iniciativa privada, ligada ao
movimento social do campo, se relaciona com o poder estatal em busca da efetivação da
política educacional do campo, prezando por seus princípios metodológicos e filosóficos
originários. A escolha por uma abordagem que abarque o princípio da totalidade e da
historicidade nos apoiou transversalmente em nossa análise. Utilizamos a pesquisa
bibliográfica e documental, entrevistas orientadas por roteiro, fichas com questões abertas, e
depoimentos junto às lideranças do movimento social do campo, diretoria da CFR-STM,
monitores, pais, jovens ex-alunos e atuais; bem como gestores municipais e regionais, antigos
e atuais. Concluímos que esta experiência representa uma alternativa de resistência ao projeto de educação urbanocêntrico hegemônico, utilizando estrategicamente espaços públicos de articulação e de fortalecimento territorial para a intervenção efetiva ao atendimento às necessidades, sobretudo da educação do campo. Reconhece o papel do Estado, ao exigir dele a execução destas políticas. Mas a trajetória de diálogos entre Estado e Sociedade Civil é marcada por contradições que refletem uma tensão constante e paradoxal. Pois, o movimento social do campo apesar de defender a pedagogia da alternância como política pública, possui dificuldades nesta aproximação e vai buscar alternativas de sustentabilidade. Apesar das limitações, a CFR-STM interfere no desenvolvimento da região ao contribuir na formação de jovens críticos e conscientes, capazes de intervir e transformar sua prática com vistas à emancipação humana coletiva.
produtores familiares, de acesso à educação e de resistência ao modelo urbanocêntrico
excludente. Inspirada nas experiências pioneiras de Pedagogia da Alternância, da França
(1935); Itália (1960) e Brasil/Espírito Santo (1969), a Casa Familiar Rural alterna educação e
trabalho em diferentes tempos formativos integrados de teoria e prática, visando a formação
teórica, o aperfeiçoamento prático produtivo no campo e a formação integral dos jovens.
Partimos da compreensão histórica e global da experiência local, no contexto de sua criação
no seio do movimento social, até a construção do processo territorial de diálogos e negociação com o Estado, no debate sobre a política educacional e desenvolvimento do/no campo. Destacamos os interesses antagônicos e contraditórios entre Estado e movimento social, diante das lutas para a emancipação dos seus sujeitos e constituição do poder local. A pesquisa surgiu da necessidade de analisar, como uma iniciativa privada, ligada ao
movimento social do campo, se relaciona com o poder estatal em busca da efetivação da
política educacional do campo, prezando por seus princípios metodológicos e filosóficos
originários. A escolha por uma abordagem que abarque o princípio da totalidade e da
historicidade nos apoiou transversalmente em nossa análise. Utilizamos a pesquisa
bibliográfica e documental, entrevistas orientadas por roteiro, fichas com questões abertas, e
depoimentos junto às lideranças do movimento social do campo, diretoria da CFR-STM,
monitores, pais, jovens ex-alunos e atuais; bem como gestores municipais e regionais, antigos
e atuais. Concluímos que esta experiência representa uma alternativa de resistência ao projeto de educação urbanocêntrico hegemônico, utilizando estrategicamente espaços públicos de articulação e de fortalecimento territorial para a intervenção efetiva ao atendimento às necessidades, sobretudo da educação do campo. Reconhece o papel do Estado, ao exigir dele a execução destas políticas. Mas a trajetória de diálogos entre Estado e Sociedade Civil é marcada por contradições que refletem uma tensão constante e paradoxal. Pois, o movimento social do campo apesar de defender a pedagogia da alternância como política pública, possui dificuldades nesta aproximação e vai buscar alternativas de sustentabilidade. Apesar das limitações, a CFR-STM interfere no desenvolvimento da região ao contribuir na formação de jovens críticos e conscientes, capazes de intervir e transformar sua prática com vistas à emancipação humana coletiva.
Como Citar:
BENTES, Glez Rodrigues Freitas. Movimento social e política de educação do campo: a prática da Casa Familiar Rural de Santarém - Pará. Orientador: Anselmo Alencar Colares. 2016. 205 fls. Dissertação (Mestrado em Educação) - Instituto de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação Tecnológica, Universidade Federal do Oeste do Pará, Santarém, 2016.
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