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O TEMPO LIVRE E A PRODUÇÃO DA EXIS TÊNCIA DA JUVENTUDE DO CAMPO: Um estudo com jovens estudantes do Assentamento João Batista II - PA


Resumo:

O Tempo é uma construção histórica, ou seja, é uma construção fruto da moderni
zação da sociedade, que foi sendo moldado ao longo do desenvolvimento dos mo
dos de produção e incorporando elementos destes em sua definição. As noções do
tempo variam cultural e historicamente e por questões de classe. Na sociedade do
capital, para a classe burguesa, o tempo assume proporções ligadas ao produtivis
mo e a obtenção de lucros. Para a classe trabalhadora, o tempo está intimamente
relacionado ao pressuposto de toda a existência humana, seu primeiro ato histórico,
a produção de meios para a satisfação das necessidades próprias da sua vida mate
rial. Nesta mesma sociedade, o Tempo considerado Livre, como vem sendo caracte
rizado hoje, também está intimamente ligado ao processo de constituição do sistema
capitalista, desta forma, assume a premissa de ser aquele tempo que sobra após o
cumprimento da jornada de trabalho. Esta pesquisa tem por objetivo analisar o uso
do Tempo Livre de jovens estudantes da Escola do Campo, partindo da identificação
e categorização das atividades desenvolvidas pelos jovens em sua cotidianidade.
Foi realizada uma pesquisa de campo com 27 jovens, sendo 16 do sexo masculino e
11 do sexo feminino. Como instrumento de coleta de dados foi utilizado um questio
nário e entrevistas com lideranças da comunidade. Como metodologia de análise
utilizou-se a Análise de Conteúdo. Os primeiros resultados a que chegamos, mos
tram a necessidade de mais pesquisas científicas, principalmente nacionais, sobre o
Tempo Livre e a Juventude, à medida que o Tempo Livre é tratado na maioria dos
estudos levantados, de forma secundarizada, ou seja, apenas como um espaço para
se pensar as práticas de atividades físicas, sem um olhar da totalidade dos fatos e
da compreensão histórica do Tempo. Outros resultados que obtivemos por meio da
pesquisa de campo, ressaltam diferenças por gênero na ocupação do tempo residu
al, ou seja, as jovens ocupam seu tempo com atividades domésticas e os jovens a
cabam por desempenhar outras atividades ditas de lazer com mais frequência. Per
cebemos ainda que, os jovens estão em sua maioria desenvolvendo atividades de
lazer-descanso, como “assistir televisão”, “acessar a internet”, “usar o celular”, influ
enciados também pelos avanços tecnológicos, quanto pela ausência de espaços e
oportunidades na comunidade. Concluímos ainda que os jovens no Assentamento
João Batista II, ainda não superaram no seu Tempo Livre a mera reprodução de ati
vidades veiculadas pelos meios de comunicação (como jogar futebol e usar as redes
sociais), tanto pelo falta de opção (já que o poder público municipal pouco efetiva
políticas sociais de esporte e lazer), quanto pela não compreensão das possibilida
des de emancipação oriundas do Tempo residual

Como Citar:

NASCIMENTO, Tábita Cristina. Modesto. O TEMPO LIVRE E A PRODUÇÃO DA EXISTÊNCIA DA JUVENTUDE DO CAMPO: Um estudo com jovens estudantes do Assentamento João Batista II - PA. 2017. 145p. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal do Pará. Belém. 2017
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