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O DIREITO À EDUCAÇÃO INFANTIL DO CAMPO NO MUNICÍPIO DE PINHÃO: PONTO DE VISTA DAS FAMÍLIAS


Resumo:

Este estudo tem como objetivo: entender de que modo o direito à
Educação Infantil das crianças que vivem no campo no município de
Pinhão-PR é percebido pelas famílias e de que maneira é cumprido
pelos órgãos governamentais. Esse município localiza-se no Território
Cantuquiriguaçu, estado do Paraná, e foi selecionado por ser o único
município do Território com um Centro Municipal de Educação Infantil
no campo. A pesquisa, de abordagem qualitativa, contempla estudo
bibliográfico e documental sobre a história do Município e a história da
Educação Infantil, bem como estudo de campo: entrevistas,
questionários e visitas realizadas nos anos de 2015 e 2016 com a
famílias que vivem no campo. Foram entrevistadas 40 mulheres que
vivem no campo cujos filhos não têm acesso à Instituição de Educação
Infantil e foram respondidos 21 questionários por pais de crianças que
frequentam o CMEI Santa Maria. Estabeleceu-se um recorte a partir dos
anos de 1980, destacando-se nessa reconstrução histórica a luta das
mulheres e dos movimentos sociais para que a criança fosse
contemplada na legislação, bem como a luta para que a Educação do/no
Campo fosse, na prática, um direito de todos. A análise das informações
recolhidas tomou como referência o conceito de território, considerando
as relações sociais que se estabelecem no campo e constituem os
sujeitos, para além do espaço físico, geográfico, ou seja, relações de
disputa, de poder e de sobrevivência. São essas relações que explicam os
diversos pontos de vista das famílias, que se assemelham em termos de
condições socioeconômicas, mas que se percebem de maneiras
diferenciadas pela atuação social que desempenham. As famílias cujos
filhos frequentam a Educação Infantil reconhecem sua importância pelo
desenvolvimento apresentado pelas crianças. Entre as famílias que não
têm acesso à Educação Infantil, foi possível identificar diferentes
posições: algumas manifestam a necessidade do atendimento, outras
preferem manter as crianças pequenas em casa, sob os cuidados pela
mãe; algumas, por não terem registro formal de trabalho, consideram
que seus filhos não teriam direito à Educação Infantil. A grande maioria
das mulheres entrevistadas reproduz um modelo patriarcal de submissão
e não se veem como sujeitos de direitos. Da mesma forma, não
reconhecem a Educação Infantil do Campo como um direito das
crianças, fato esse reforçado pelo precário atendimento das políticas
públicas municipais para a Educação Infantil do Campo.

Como Citar:

LEINEKER, Mariulce da Silva Lima. O direito à educação infantil do campo no município de Pinhão: ponto de vista das famílias. Tese (Doutorado em Educação) - Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Educação. Florianópolis, 2016.
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